segunda-feira, setembro 28, 2009

Espera... (1º Dia)

Não que eu seja de muitas palavras ou de me alongar, mas hoje apetece-me... Este tempo de espera, o click-clack na minha cabeça, fez-me pensar. Fez-me ver que podemos ser tudo ou nada, para nós, para os nossos amigos ou para os outros. É relativo quem somos, depende de quem vê e do que vê ou quer ver. Tenho a sensação que andamos numa roda viva para mostrar aos outros o que idealizamos ser; achamos sempre que é pouco e podemos fazer mais; os outros veêm mais do que o realmente somos e tentam competir para ainda serem melhores, e assim sucessivamente, como uma bola de neve.
Mas há um sítio onde todos somos iguais... aqui, onde estou, nesta espera, neste silêncio que tudo deixa ouvir: campainhas ritmadas ao longe que insistem em não parar, o passo lento ou apressado dos auxiliares que cumprem os seus horários, as rodas que giram junto ao chão e fazem andar as camas, o comboio de carga que passa mesmo aqui em baixo, os gemidos de um paciente que contrastam com os risos dos profissionais, os meus próprios pensamentos que ecoam sem cessar dentro da minha cabeça, os meus batimentos cardíacos acelerados pela espera...


2 comentários:

Ana disse...

Para além de muito bem escrito, este texto revela uma realidade sobre a qual apenas alguns têm a capacidade de meditar! Adorei!
Um beijinho, na certeza de que esta espera será breve.

Faz de Conta disse...

Obrigada!:)
Sim, passou depressa.
Até para meditar é preciso tempo e disponibilidade mental...

Bjinhos da madrinha ;)